Especialistas em direitos humanos da ONU instaram as corporações policiais mexicanas a cessar os ataques contra manifestantes depois que a polícia disparou para o ar para dispersar um protesto em um resort em Cancún.

Este apelo, enquadrado no Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher a ser comemorado em 25 de novembro, destaca a necessidade de os agentes de segurança protegerem as mulheres nas manifestações.

“Não há nada mais irônico — e ultrajante — do que o recente espetáculo da polícia atacando mulheres que protestavam contra a violência e a morte que as mulheres enfrentam todos os dias no México”, dizem os especialistas, em um comunicado emitido na última sexta-feira(20).

Em 9 de novembro, policiais de Cancún, principal destino de turistas estrangeiros do México, dispararam vários tiros para o ar enquanto manifestantes, em sua maioria mulheres, protestavam em frente à prefeitura. O protesto foi convocado após a descoberta do corpo desmembrado de uma jovem residente em Cancún.

“O governo mexicano, em todos os níveis, tem a obrigação de criar um ambiente no qual as mulheres possam exercer de forma segura e plena seu direito à liberdade de reunião, sem medo de represálias”, acrescentou o comunicado da ONU.

Pelo menos três pessoas ficaram ligeiramente feridas na manifestação, sem precedentes em Cancún.A ONU enfatiza que a força nas manifestações deve ser usada como “último recurso” e que armas letais não são usadas de forma alguma.

Alberto Capella, que renunciou ao cargo de Secretário de Segurança de Quintana Roo após o incidente, descreveu o evento como “uma enorme estupidez” cometida pela polícia, que, segundo ele, “entrou em pânico”.

No México, a polícia costuma ir a manifestações equipadas apenas com escudos e, em situações extremas, usa spray de pimenta. O país é abalado por uma onda de violência de gênero que deixa uma média de 10 assassinatos de mulheres por dia, o que tem multiplicado as manifestações. Alguns desses protestos, especialmente na capital, foram marcados por atos de vandalismo e ataques contra jornalistas do sexo masculino.

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