Ser mãe ou estar grávida para uma candidata em campanha já era um desafio. Agora, com a pandemia do Covid-19, as barreiras ficaram ainda maiores. Pré-candidatas à vereança e prefeitura estão tendo que lidar com escolas fechadas, crianças em casa e reuniões online com equipes e voluntários.

Além disso,  o resultado tem sido amamentação durante as calls, interrupção para ajudar com lição ou mesmo cuidar das crianças. Como sempre, as mulheres encontram dificuldades que os homens não tem que lidar para ter presença política.

O covid-19 deixa claro que as cotas para mulheres nos parlamentos não bastam.

Nos últimos meses, pré-candidatas dos mais diversos partidos e regiões do país, têm desistido de se candidatar por conta da dificuldade de lidar com a jornada de campanha durante uma pandemia que sobrecarregou mulheres com tarefas domésticas.

Eu já fiz reuniões online com o time de campanha enquanto cozinhava para meus filhos”, afirma Marina Bragante, pré-candidata à vereadora de São Paulo pela Rede Sustentabilidade. Outras mulheres, amamentam enquanto definem estratégias e próximos passos a  se seguidos na comunicação e redes sociais de suas campanhas.

Quando eu descobri que estava grávida, tive que escolher se seguiria a campanha ou desistiria e adiaria meu sonho de ser candidata à vereadora por São Paulo. Um homem que descobrisse que iria ser pai, provavelmente não teria que tomar essa decisão”, conta Fernanda Gomes, também candidata pela Rede.

Enfim, entre colos e choros, as “mães candidatas” representam uma parcela significativa da população brasileira. São mulheres que tem jornada dupla ou até tripla de trabalho e recebem a política pública na ponta.

A importância de ter representantes de carne e osso, com problemas e desafios que normalmente não estão representados entres as pessoas eleitas, é gigante para a população. Só assim conseguiremos transformar as cidades, estados e o país. Pessoas que para além de terem se preparado para ocupar um cargo público, ou serem lideranças reconhecidas, vivem a cidade de diferentes formas”, afirma Marina, que além de mãe de trigêmeos é mestre em Administração Pública em Harvard.

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