Alcione Albanesi é empresária e empreendedora. Construiu a maior empresa de lâmpadas do país e fundou a ONG Amigos do Bem,cuja atuação se dá na região nordeste brasileira no combate à fome, tendo auxiliado, já, mais de 60 mil pessoas.

Tudo começou com minha mãe. Ela se chama Guiomar de Oliveira Albanesi e tem 11 creches em São Paulo. Os pais das crianças das creches, que moram na periferia e são pobres, costumavam falar que miséria mesmo existia no sertão. Eles diziam: “Aqui, a gente é pobre, mas tem comida, tem as feiras livres. Se você pedir um pão, um prato de comida na padaria, alguém lhe dá. Mas lá não tem nada para pedir para ninguém”, conta Alcione.

No Natal de 1993, decidi levar um grupo de amigos ao sertão do Nordeste. E, a partir de então, nós começamos a doar comida, roupas e remédios no período do Natal e do Ano-Novo. Éramos uma espécie de Papais Noéis. Levávamos mais de 100 caminhões de doações. Durante dez anos consecutivos trabalhamos assim.

Início do projeto

Eu precisava do apoio dos meus filhos para fazer isso. Eu reuni os quatro adolescentes na sala de jantar de casa. Pedi a eles que colocassem roupa social para uma reunião. E, então, disse a eles que iria começar esse projeto e iria até o fim. Falei que nesta vida eu não paro. Com saúde, sem saúde, feliz, infeliz, de qualquer jeito vou até o fim.

E aí nós começamos a fazer o projeto de transformação. Começamos a abrir estradas, tirar as pessoas de casas de taipa e construir novas moradias, cuidar da eletrificação e do saneamento básico. Eu sempre digo que construir casas é fácil. O difícil é transformar gente. E isso requer dinheiro. Nosso projeto não é de dar, é de transformar.

Fazemos com que o ser humano trabalhe gerando sua sustentabilidade e permitindo que a criança tenha condições de se preparar para o futuro. Nós saímos de nossas casas não para levar uma cesta básica, mas para transformar.

Muitas famílias já se transformaram, hoje vivem em casas de alvenaria, e não mais em moradias de barro. Apesar disso, existe muita gente que continua vivendo como em 1992. Olhamos para todos os avanços com muita alegria, mas ainda encontramos povoados inteiros em situação muito triste no sertão.

Não se trata apenas de dar uma casa. Qual a renda deles? Nenhuma. Por que não têm renda? Porque eles vivem da agricultura e só ganham dinheiro quando chove. No ano passado, houve a pior seca dos últimos 50 anos. Então, imagine, eles não plantaram, não colheram e, portanto, não tiveram remuneração nenhuma. Eles não têm trabalho, não podem comprar uma roupa, um chinelo, nada.

E essa situação não vai mudar se não houver uma intervenção humana. O sertão nordestino é o semiárido mais populoso do mundo. Não era para ter gente vivendo lá. Eu costumo falar que quem criou a miséria não foi Deus, foram os homens, que não socorreram seus próprios irmãos.

O projeto hoje

Nós estamos quebrando um ciclo de miséria para 60 mil pessoas, algo que começou com os bisavós deles, depois passou para os avós e os pais. É uma miséria secular. Para isso, estamos levando dignidade às pessoas do Nordeste. Os pais das crianças, analfabetos, não levantavam os olhos para falar com você. As crianças corriam feito bichinhos do mato. Hoje, elas cantam, elas falam, elas se portam. É uma transformação.

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