Quando Alicia Garza escreveu “Black Lives Matter” numa publicação no Facebook há quase sete anos, esta ativista de Oakland, na Califórnia, nunca imaginou que essas palavras iriam definir um movimento global.

No dia 13 de julho de 2013, a absolvição de George Zimmerman pelo assassinato de Trayvon Martin, um adolescente negro que estava desarmado, desencadeou a sua publicação.

Um ano depois, o assassinato de Michael Brown, outro adolescente negro desarmado que foi morto por um polícia branco em Ferguson, no Missouri, galvanizou o movimento Black Lives Matter e transformou-o numa organização nacional.

Com a morte de George Floyd, os protestos Black Lives Matter surgiram pelo mundo inteiro e estas palavras estão agora pintadas com letras gigantes a amarelo na rua que vai dar à Casa Branca.

“Ao início até tínhamos dificuldades para as pessoas dizerem Black Lives Matter”, diz Garza, que criou a Rede Global Black Lives Matter com Opal Tometi e Patrisse Cullors. “Agora toda a gente diz Black Lives Matter. Mas o que significa?”  Alicia Garza, que também dirige a organização política Black Futures Lab, conversou recentemente com a National Geographic sobre este momento histórico e sobre o que acha que vai acontecer.

Porque é que as três palavras “Black Lives Matter” têm tanto poder?

“Black Lives Matter” é muito simples e ao mesmo tempo muito complexo. É realmente uma afirmação muito direta de um problema e de uma solução ao mesmo tempo. Aqui estamos sete anos depois, e penso que ficou claro que parte do desconforto desta afirmação acontece porque nos obriga a escolher um lado. Não podemos dizer que algumas vidas dos negros são importantes, ou que importam mais ou menos, ou que só são importantes de vez em quando. Esta declaração pergunta se acreditamos que as vidas dos negros são importantes. E se sim, é esse o mundo em que vivemos agora? E se não, o que vamos fazer para mudar a situação?

Esperança em tempos de incerteza

Tudo, na verdade. Quero dizer, as coisas estão descontroladas. Isso é um facto. Quando estou com a mente no lugar, digo que este é o momento para estarmos vivos, porque o movimento Black Lives Matter é uma parte muito importante do diálogo global neste momento.

E isso está a obrigar as pessoas de todos os estatutos, de todos os setores da nossa economia e de todos os cantos do planeta, a avaliar se estamos onde precisamos de estar – e o que precisamos de fazer para chegarmos aonde queremos chegar. Isso faz-me sentir esperançosa, mas nesta fase não tenho ilusões, as coisas não vão mudar de um dia para o outro.

Apesar de vivermos momentos muito intensos, isso deixa-me esperançosa, porque não é a primeira vez que passamos por isto. Ao início até tínhamos dificuldades para as pessoas dizerem Black Lives Matter. Agora todas as pessoas dizem isso. Mas o que significa? O que quer isto dizer? Eu diria que é um progresso. E isso enche-me de esperança.

Gostou do conteúdo?
Lembre de deixa seu comentário

 

 

Siga no Instagram @chasinggarza
Saiba mais sobre ela em National Geographic
Para saber mais sobre a história dela acesse El País Brasil