Clarissa Harlowe “Clara” Barton foi uma professora, enfermeira e filantropa americana. É lembrada por organizar a Cruz Vermelha Americana e por fazer trabalho humanitário durante a Guerra de Secessão, em uma época em que poucas mulheres faziam trabalhos fora de casa.

Clarissa Harlowe Barton nasceu 25 de dezembro de 1821, em Oxford, Massachusetts. Sua mãe era Sarah Stone Barton e seu pai era o capitão Stephen Barton, membro da milícia local e político respeitado pela comunidade, que inspirou o patriotismo e trabalho humanitário à filha.

Clara tornou-se professora em 1838 em escolas do Canadá e no estado da Geórgia, durante 12 anos. Era uma excelente professora, que sabia lidar até com as crianças mais bagunceiras. Sabia como cativar as crianças e a como ganhar o respeito da classe, especialmente dos meninos. Em 1850, ela decidiu voltar a estudar no Clinton Liberal Institute, em Nova York.

Em 1852, Clara abriu uma escola em Bordentown, em Nova Jersey, a primeira escola sem segregação de sexos no estado. Sendo bem-sucedida, ela contratou outra professora para ajudar com seus 600 alunos e com o sucesso da escola, o município conseguiu levantar uma verba para construir um novo prédio. Uma vez construído, Clara foi substituída como diretora por um homem indicado pelo conselho escolar.

Eles acreditavam que a direção de uma grande instituição de ensino era uma tarefa grande demais para uma mulher. Ela foi então colocada como “assistente feminina” e foi obrigada a trabalhar em um ambiente estressante até ter um esgotamento nervoso, junto de outros problemas de saúde e acabou saindo da escola.

Em 1855, ela se mudou para Washington D.C. e começou a trabalhar em no escritório de patentes do governo. Era a primeira vez que uma mulher ganhava o mesmo salário de um homem e uma posição de liderança, mas por três ela sofreu todo tipo de abuso e assédio moral da parte dos colegas homens de escritório.

“Às vezes, posso estar disposto a ensinar por nada, mas se for pago, nunca farei o trabalho de um homem por menos do que o salário de um homem” – Clara Barton

Subsequentemente, em oposição a ter mulheres trabalhando em escritórios do governo, seu cargo foi reduzido para copista e em 1856, sob a administração de James Buchanan, ela foi demitida por sua posição contra a escravidão.

Depois da eleição de Abraham Lincoln e após viver com parentes e amigos em Massachusetts por três anos, ela voltou para o escritório de patentes em 1861, como copista temporária, na esperança de abrir caminhos para as mulheres em escritórios do governo.

Em 19 de abril de 1861, o motim em Baltimore tornou-se o primeiro banho de sangue da guerra civil americana. Vítimas do regimento de Massachusetts foram transportados para Washington D.C., onde Clara morava na época. Desejando servir a seu país, ela foi até a estação de trem e ajudou a cuidar de 40 soldados feridos.

Com o fim da guerra, Clara descobriu que milhares de cartas de familiares desesperados, enviadas para o Departamento de Guerra, ficariam sem resposta porque os soldados que estavam sendo enterrados em túmulos sem identificação.

Muitos desses soldados foram rotulados como “desaparecidos”. Motivada pela situação, ela pessoalmente conversou com o presidente Lincoln na esperança de poder responder oficialmente aos familiares. Ganhando permissão, ela iniciou o “The Search for the Missing Men” (A Busca pelos Desaparecidos).

Clara dirigiu um escritório para soldados desaparecidos em Washington, D.C, cuja finalidade era identificar os soldados mortos ou desaparecidos em ação. Clara e sua equipe escreveram 41.855 cartas e ajudaram a localizar mais de 22 mil soldados desaparecidos.

Ela passou o verão de 1865 ajudando a encontrar, identificar e apropriadamente enterrar mais de 13 mil indivíduos que morreram no campo prisional de Andersonville, um acampamento de prisioneiros dos confederados na Geórgia.

Nos quatro anos seguintes, ela enterrou mais 20 mil soldados da União, com seus túmulos devidamente identificados. O Congresso eventualmente lhe deu 15 mil dólares para financiar o projeto.

Cruz Vermelha Americana

Clara percorreu o país e foi reconhecida por suas palestras a respeito de suas experiências na guerra, de 1865 a 1868. Neste meio tempo ela conheceu Susan B. Anthony e envolveu-se com o movimento sufragista. Conheceu também Frederick Douglass e tornou-se ativista pelos direitos civis. Suas excursões pelo país a exauriram tanto física quanto mentalmente e, por ordens médicas, precisou se afastar do trabalho intenso para descansar.

Assim, ela fechou o escritório na capital e viajou para a Europa em 1868. Em 1869, em Genebra, na Suíça, ela foi introduzida à Cruz Vermelha Internacional e ao Dr. Appia, que posteriormente a convidou para ser a representante do braço americano da organização e a ajudou a levantar fundos para começar a Cruz Vermelha Americana.

No início da Guerra Franco-Prussiana, em 1870, ela auxiliou a princesa Luísa de Mecklemburgo-Strelitz, da Prússia e Duquesa de Baden, a preparar hospitais militares e auxiliou a Cruz Vermelha durante a guerra. A pedido do governo alemão, ela foi a responsável por distribuir suprimentos para os pobres em Estrasburgo, em 1871, depois do cerco de Paris e no mesmo ano distribuiu alimentos para a população de Paris. Com o fim da guerra, Clara recebeu homenagens e condecorações por seu trabalho incansável.

Ao retornar para os Estados unidos, Clara criou um movimento para ganhar o reconhecimento do comitê da Cruz Vermelha. Em 1878, Clara se encontrou com o presidente Rutherford B. Hayes e ele expressou a opinião corrente na época de que o país nunca mais passaria pela calamidade que o assolou na guerra civil.

Foi apenas no governo do presidente Chester Arthur, que Clara convenceu o governo de que a Cruz Vermelha Americana seria útil não apenas em guerras, mas também em desastres naturais como terremotos, furacões, incêndios e tornados.

Clara foi a primeira presidente da Cruz Vermelha Americana, cuja primeira reunião aconteceu em 21 de maio de 1881. A primeira sociedade local foi fundada em 22 de agosto de 1882, em Dansville, Nova York, onde Clara tinha uma casa de campo.

Clara ficou como presidente da Cruz Vermelha até 1904. Durante seu mandato, ela chefiou o trabalho de alívio de desastres como a fome, enchentes, pestes e terremotos nos Estados Unidos e em todo o mundo. A última operação que ela dirigiu pessoalmente foi o apoio às vítimas da inundação de Galveston, Texas em 1900. Além disso, ela serviu como emissária da Cruz Vermelha e dirigiu várias conferências internacionais.

Em 1904, Clara foi forçada a renunciar à sua posição como presidente. Ela experimentou crescentes críticas de seu estilo de liderança e muitos sentiram que era hora de a organização ser liderada por uma pessoa da administração central.

Em 12 de maio, Barton renunciou. Durante os seguintes oito anos, ela viveu em sua casa em Glen Echo, Maryland. Barton gozava de boa saúde e permaneceu bastante ativa, montando seu cavalo e se mantendo a par dos acontecimentos

Clara continuou vivendo em sua casa em Glen Echo, Maryland]], que também foi o quartel-general da Cruz Vermelha quando para lá se mudou em 1897. Ela publicou uma auto-biografia em 1907, intitulada The Story of My Childhood (A História de Minha Infância) e faleceu em sua casa, em 12 de abril de 1912, aos 90 anos, devido à uma tuberculose.

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