Lélia Gonzalez foi uma intelectual, política, professora e antropóloga brasileira. Nascida na cidade de Belo Horizonte, muda-se com toda família em 1942 para o Rio de Janeiro. Fez graduação em História e Filosofia, mestrado em Comunicação e doutora Antropologia Social.

Em sua trajetória – encerrada há 25 anos em 10 de julho de 1994- Lélia juntou a teoria e a prática para denunciar o racismo e o sexismo que sofrem as mulheres, principalmente as mulheres negras, por meio de suas obras literárias, acadêmicas e na política.

Uma das primeiras obras publicadas pela ativista foi o artigo “Mulher negra: um retrato” e, na década de 80, publicou seu primeiro livro “Lugar de negro” em parceria com o sociólogo Carlos Hasenbalg. A obra trouxe um panorama histórico do modelo econômico de 1964, a inserção da população negra neste cenário e o resgate histórico dos movimentos sociais negros. Publicou em 1987 o livro “Festas Populares no Brasil”, onde registra as festas populares espalhadas pelo Brasil.

Para Lélia Gonzalez, o conceito de cultura deveria ser pensado em pluralidade e servir como elemento de conscientização política. Por isso, iniciou o primeiro curso de Cultura Negra na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, que propunha uma análise da contribuição africana na formação histórica e cultural brasileira.

“A gente não nasce negro, a gente se torna negro. É uma conquista dura, cruel e que se desenvolve pela vida da gente afora.” – Lélia Gonzalez

Na política, a intelectual foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado contra Discriminação e o Racismo (MNUCDR), em 1978, atualmente Movimento Negro Unificado (MNU), principal organização na luta do povo negro no Brasil e, integrou a Assessoria Política do Instituto de Pesquisa das Culturas Negras. Lélia também ajudou a fundar o Grupo Nzinga, um coletivo de mulheres negras e integrou o conselho consultivo da Diretoria do Departamento Feminino do Granes Quilombo.

Em um depoimento de Lélia publicado em 1988, a intelectual reflete: “A gente não nasce negro, a gente se torna negro. É uma conquista dura, cruel e que se desenvolve pela vida da gente afora. Aí entra a questão da identidade que você vai construindo. Essa identidade negra não é uma coisa pronta, acabada. Então, para mim, uma pessoa negra que tem consciência de sua negritude está na luta contra o racismo. As outras são mulatas, marrons, pardos etc.”

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