Nadia Murad Basee Taha é uma ativista de direitos humanos yazidi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 2018, e desde setembro de 2016 a primeira Embaixadora da Boa Vontade para a Dignidade dos Sobreviventes de Tráfico Humano das Nações Unidas.

Aos 21 anos, Nadia foi raptada e escravizada pelo Estado Islâmico. Hoje, com 25, luta contra o tráfico sexual de mulheres.

Nadia vivia com a família na aldeia de Kocho, uma pequena comunidade de agricultores e pastores no norte do Iraque. Em 2014, quando o grupo terrorista invadiu sua terra natal, ela e milhares de outras mulheres e meninas da minoria Yazidi foram raptadas. Na ocasião, os invasores mataram seis de seus oito irmãos. Seus corpos foram jogados em valas comuns.

– Eu cuspi em um membro do EI e ele ficou com tanta raiva – disse Nadia em um evento em Londres, em novembro do ano passado.  – Eu não estava com medo porque não havia nada a perder. Eles nos forçaram a deixar nossa família e nossa casa, e isso é muito difícil para nós. Muitas mulheres gostariam que tivessem morrido antes que isso acontecesse com elas.

As mulheres e crianças sobreviventes foram transferidas para uma escola, onde foram divididas em dois grupos: as que seriam úteis como escravas sexuais e as que tinham que ser mortas – o que incluía a mãe de Nadia.

– No ônibus, eles nos disseram que seríamos escravas sexuais. Isso não é fácil de esquecer – afirmou.

As que sobreviveram foram vendidas e passadas de mão em mão por homens que as estupraram coletivamente. Foram vítimas do que o EI chama de “jihad sexual”.

Nadia foi reivindicada por um juiz do alto escalão do EI chamado Hajji Salma. Ele a transformou em sua quarta escrava sexual. Ela foi estuprada e espancada todos os dias em que esteve no cativeiro.

A fuga de Nadia

Quando tentou fugir, depois de alguns dias, Nadia foi pega, rastejando pela janela. Como punição, foi chicoteada e estuprada por seis dos guardas de Hajji Salman.

Ela conseguiu escapar três meses depois, quando a casa ficou destrancada, enquanto o juiz estava fora. Nadia foi resgatada por uma família muçulmana vizinha do local.

Mas essa não era uma prática comum. Nadia teve sorte. A família não apoiava o EI.

– Famílias no Iraque e na Síria levaram vidas normais enquanto éramos torturadas e estupradas. As pessoas nos deixaram gritar no mercado de escravos e não faziam nada.

Diferentemente da maioria das mulheres que conseguem fugir do EI, e que preferem esconder suas identidades, Nadia insistiu em se mostrar. Desde então, a ativista viaja o mundo contando sua história.

Nessas andanças, ela ajudou a convencer o Departamento de Estado dos Estados Unidos a reconhecer o genocídio de seu povo nas mãos do grupo terrorista islâmico.

“Milhares de mulheres e meninas, algumas com 9 anos de idade, foram vendidas em mercados de escravos”, relatou um inquérito de direitos humanos da ONU em 2016.

Nadia foi nomeada a primeira Embaixadora da Boa Vontade da ONU para a Dignidade de Sobreviventes do Tráfico Humano.

No mesmo ano, ela ganhou o Prêmio Vaclav Havel de Direitos Humanos, batizado em homenagem ao escritor tcheco e dissidente que foi presidente de seu país por 14 anos depois da queda do comunismo.

“Eu quero ser a última garota do mundo com uma história como a minha.” – Nadia Murad

Biografia e ativismo

Sua história está contada na autobiografia The Last Girl (A Última Garota, na tradução). O título remete a uma frase do livro: “Eu quero ser a última garota no mundo com uma história como a minha”.

Na obra, Nadia conta sua história desde a infância pacífica na área rural do Iraque, passando pelo genocídio e destruição de sua comunidade, até sua fuga.

“Nunca fica mais fácil contar sua história”, ela escreve no livro. “Cada vez que você fala, você revive. [Mas] minha história, contada honestamente e com naturalidade, é a melhor arma que tenho contra o terrorismo, e planejo usá-la até que esses terroristas sejam levados a julgamento”.

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