Na lista das 100 pessoas mais influentes do planeta neste ano, segundo a revista Time, Opal Tometi, Alicia Garza e Patrisse Cullors são as três mulheres que deram início a essa agitação social.

Tudo começou quando Alicia fez um texto indignado pela absolvição do assassino de Trayvon Martin em uma rede social. Sua amiga Patrisse compartilhou o post com a hashtag #BlackLivesMatter.

Opal, que não conhecia nenhuma das duas, viu a publicação e imediatamente criou o site BlackLivesMatter.com. Nascia ali um movimento que, em seus primeiros anos, permaneceu sem uma liderança clara. “Precisávamos ter uma mente aberta e uma estrutura que refletisse o nosso tempo, responsabilizando-nos pelas lições que os mais velhos nos deixaram”, explica Opal.

“Nas gerações anteriores, as instituições eram hierárquicas e, quando um líder sofria um atentado, por exemplo, isso poderia levar à destruição e ao desmantelamento do grupo todo”, diz ela, em referência a militantes como Martin Luther King (1929-1968) e Malcolm X (1925-1965).

“Construímos uma rede global para o Black Lives Matter, dando apoio às lideranças de base”, explica. “As pessoas acham que não temos líderes, mas é o oposto: temos inúmeros, no mundo todo, que são os mais adequados a pensar soluções locais. E isso também nos mantém em segurança”, afirma Opal, que já sofreu ameaças de morte, assim como suas companheiras.

A militância de Opal surgiu ligada às suas origens. Filha de nigerianos, ela nasceu em Phoenix, no Arizona, e muito jovem viveu o drama de ter os pais ameaçados de extradição. O trauma foi fundamental para que ela se tornasse uma ativista dos direitos de imigrantes, ao ser a primeira mulher a ocupar a direção-executiva da Black Alliance for Just Immigration (aliança negra para a imigração justa), que ajuda comunidades negras a se mobilizarem por justiça social e econômica.

Com o  BLM, passou a agir em defesa dos afro-americanos em diversas frentes: queer, pessoas com deficiência física, imigrantes, contra o racismo na educação, no sistema de saúde, violência policial etc. “Pessoas negras não são um monolito”, justifica ela, ao defender que o BLM é um “guarda-chuva” para diferentes causas.

“Quando leio a frase: ‘Vamos fazer a América grande novamente’ [mote da campanha de Donald Trump], penso: ‘Para quem a América era grande?’. Nossa tarefa é construir um país multirracial, que abrace a completude das nossas identidades, e vamos lutar até o final para conseguir”

Opal Tometi

Após a maciça adesão às manifestações deste ano, o grupo passou a exercer enorme influência na eleição presidencial do último dia 3, com demandas polêmicas, como a de realocar fundos destinados à polícia.

“A polícia faz uma vigilância muito mais pesada nas comunidades negras dos Estados Unidos, e imagino que também do Brasil, com a tarefa de criminalizar a pobreza. Por isso, defendemos lidar com a raiz desse problema, que é examinar o orçamento público”, explica Opal. “A polícia tem um orçamento inflado: por que não realocar esses dólares para a educação, o sistema de saúde ou a saúde mental?”

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