Shirley Anita St. Hill Chisholm foi uma política, educadora e autora norte americana. Ela foi a primeira mulher negra eleita no Congresso dos Estados Unidos em 1968, representando o 12º Distrito, Congressista de Nova Iorque por 7 mandatos, de 1969 a 1983.

Shirley Anita St. Hill nasceu em 30 de novembro de 1924, no Brooklyn, Nova Iorque. Filha de imigrantes caribenhos, ela teve três irmãs mais novas. Seu pai, Charles Christopher St. Hill, nasceu na Guiana Britânica e viveu em Barbados por alguns anos antes de migrar para os Estados Unidos pelas Antilhas, Cuba, em 10 de abril de 1923, a bordo do S.S. Munamar. Sua mãe, Ruby Seale, nasceu em Christ Church, Barbados, e migrou para os Estados Unidos a bordo do S.S. Pocome em 8 de março de 1921.

Seu pai era um trabalhador não qualificado, que trabalhava como ajudante de de padeiro, enquanto sua mãe se dividia entre o trabalho de costureira e a criação dos filhos. Por conta das dificuldades da família, em novembro de 1929 Shirley e suas irmãs foram enviadas para Barbados para viver com sua avó materna, Emaline Seale, em uma fazenda na aldeia Vauxhall em Christ Church.

Ela não voltou aos Estados Unidos até 19 de maio de 1934 e por conta dos vários anos vividos em Barbados carregou por toda sua vida um forte sotaque indiano ocidental. Como resultado do tempo vivido na ilha, e independentemente do seu nascimento nos Estados Unidos, Chisholm sempre se considerou uma americana barbadiana.

Em 1939, começou a estudar em uma escola para meninas no bairro de Bedford-Stuyvesant, no Brooklyn. Obteve seu diploma de bacharel em Artes pela Brooklyn College em 1946, onde ganhou prêmios para suas habilidades de debate.

Conheceu Conrad O. Chisholm no final de 1940. Ele tinha vindo da Jamaica para os EUA em 1946 e mais tarde se tornaria investigador particular, se especializando em processos judiciais com base em negligência. Eles se casaram em 1949.

Entre 1965 e 1969, Chisholm foi membro democrata da Assembleia Estadual de Nova Iorque. Seus sucessos na legislatura incluem a extensão de subsídios de desemprego para trabalhadores domésticos. Ela também patrocinou a introdução de um programa SEEK (Search for Education, Elevation and Knowledge) para o Estado, o que forneceu a alunos desfavorecidos a chance de entrar na faculdade durante a recepção de ensino de recuperação intensiva.

Em agosto de 1968, ela foi eleita no Comitê Nacional Democrata pelo Estado de Nova Iorque.

Primeira eleição

Em 1968 Chisholm concorreu para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos pelo 12º distrito congressional de Nova Iorque, que como parte de um plano da corte mandatada para redistribuição foi significantemente redesenhado para focar no Bedford-Stuyvesant e, como esperado, resultou na primeira membra negra do Congresso pelo Brooklyn.

Chisholm começou a explorar sua candidatura em julho de 1971 e anunciou formalmente sua corrida presidencial em 25 de janeiro de 1972 em uma igreja batista de seu distrito no Brooklyn. Nesta ocasião, ela convocou uma revolução sem derramamento de sangue na próxima convocação de nomeação democrática. Ela se tornou a primeira candidata negra a disputar a presidência dos Estados Unidos em 1972, sendo também a primeira candidata mulher ao cargo pelo Partido Democrata.

Sua campanha teve dificuldades de organização e financiamento desde o início, chegando a usufruir de apenas 300,000 dólares em todo o curso. Ela lutou para ser considerada uma candidata séria ao invés de uma figura política simbólica, pois foi ignorada por boa parte do contingente democrata e recebeu pouco apoio de homens negros.

Sua segurança também se tornou uma preocupação devido a três ameaças de morte. Conrad Chisholm serviu como seu guarda-costas até o Serviço Secreto dos Estados Unidos lhe oferecer proteção em maio de 1972.

Chisholm ignorou a disputa inicial de 7 de março em New Hampshire. Ao invés disso concentrou-se nas primárias da Flórida em 14 de março, aonde acreditava que seria melhor recepcionada pelos movimentos de negros, mulheres e juventude.

Contudo, por conta dos problemas de organização em sua campanha e as responsabilidades no Congresso, ela só pode realizar dois balanços da campanha e terminou com 3,5% dos votos, ficando em sétimo lugar.

Chisholm teve dificuldades de acesso as cédulas mas recebeu votos primários em quatorze estados. O maior número de votos se deu nas primárias da Califórnia em 6 de junho onde ela recebeu 157,435 votos, ou seja, 4,4% dos votos, ficando em 4º lugar. E a melhor percentagem de votos em uma primária ocorreu em 6 de maio na Carolina do Norte, onde ficou em 3º lugar por 7,5% dos votos.

“Você não progride permanecendo à margem, choramingando e reclamando. Você progride implementando ideias.”  — Shirley Chisholm
No geral, ela recebeu 28 delegados durante o processo de primárias. A base de apoio a Shirley Chisholm foi etnicamente diversificada e incluiu a National Organization for Women. Betty Friedan e Gloria Steinem foram delegadas de Chisholm em Nova Iorque. Durante a temporada de primárias ela recebeu 430,703 votos no total, contabilizando 2,7% do total dos 16 milhões de votantes, ficando em 7º lugar entre os candidatos democratas.

Na convenção nacional do partido democrata de 1972 em Miami Beach, Flórida, havia ainda os esforços em prol da campanha do ex-vice presidente Hubert H. Humphrey para impedir a nomeação do senador George McGovern. Tendo falhado, a nomeação de McGovern foi assegurada e, num ato simbólico, Humphrey direcionou seus delegados negros para Chisholm.

Como consequência, somando as deserções de delegados desencantados de outros candidatos com os que ela ganhou nas primárias, ela chegou a cerca de 150 votos na primeira votação da chamada de 12 de julho. O maior apoio veio de Ohio, com 23 delegados, a maioria branco, mesmo que ela não estivesse na cédula de votação nas primária de 2 de maio.

Ela ficou em quarto lugar na contagem nominal, atrás dos 1,728 delegados de McGovern. Chisholm revelou que teria concorrido apesar da falta de esperança em uma vitória para mostrar sua vontade e recusa em aceitar o status quo. Dentre os voluntários que foram inspirados por sua campanha política encontra-se Barbara Lee, que continuou a ser politicamente ativa e foi eleita congressista 25 anos depois.

Retornou a Florida em 1991 e em 1993 o presidente Bill Clinton a nomeou Embaixadora da Jamaica nos Estados Unidos. Entretanto, devido a problemas de saúde não pode assumir o cargo.

Chisholm morreu em 01 de janeiro de 2005 em Ormond Beach, perto de Daytona Beach, depois sofrer vários acidentes vasculares cerebrais. Ela foi enterrada no Forest Lawn Cemetery em Buffalo, Nova Iorque.

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