Yasmine Sterea é CEO do Instituto Free Free, entidade sem fins lucrativos que apoia mulheres em seus recomeços para que elas atinjam liberdade física, emocional e financeira.

Yasmine Sterea tinha uma carreira consolidada no mundo da moda, mas não era o bastante para essa mulher com objetivos claros e definidos. Sua ideia, surgida em Londres, era a de construir um projeto que ajudasse mulheres em situação de vulnerabilidade e com condições mínimas de seguir em frente.

O que nasceu como um sonho, acabou se transformando no enorme e forte movimento Free Free, cujo objetivo vem se tornando cada vez mais presente na vida de tantas mulheres vítimas de diferentes formas de violência, com autoestima abalada e com desejo de sair de tal condição.

“Desenvolvemos uma metodologia que você trabalha com mulheres com qualquer trauma, seja violência, depressão, um câncer que a ela passou. Então, independentemente do trauma ou da dor que ela esteja vivendo, o Free Free trabalha para ela voltar a sua essência, se reconectar com quem ela é, ou seja, se despir desses personagens que a gente acaba desenvolvendo para lidar com algumas situações da nossa vida e voltar para quem a gente é, se vestir um pouco com aquilo que somos”, diz.

Free Free

“Toda a ideia do Free Free nasceu durante a gravidez da minha filha, agora ela já está com quatro anos. Foi um momento em que eu tive que lidar com a dor da perda da minha mãe, que morreu quando eu tinha 21 anos, por uma questão de saúde mental, ela tirou a própria vida, então foi uma questão bastante traumática. Aí, quando eu engravidei da minha filha, eu tive que olhar para essa dor de novo e trabalhar muito toda a questão do feminino, eu estava tendo uma menina, foi um momento muito difícil, mas de muito autoconhecimento”, conta ela.

“E foi um momento em que eu comecei a questionar muito o meu trabalho, eu já tinha uma carreira consolidada no mundo da moda etc., mas eu não estava vendo muito sentido em seguir fazendo aquilo. E eu comecei a estudar muito psicodrama, neurolinguística, Jung, entrei muito para o mundo da espiritualidade e tal, para entender essa dor toda que eu estava sentindo e como que eu poderia fazer algo pelo mundo, pela minha filha, e que outras mulheres não passassem pelo o que minha mãe passou.”

“Aí, a ideia do Free Free começou a surgir. Ele tem uma metodologia como uma base que mistura psicodrama, neurolinguística, os arquétipos de Jung etc. com a moda e tudo o que eu vivi até ali. Desenvolvemos uma metodologia que você trabalha com mulheres com qualquer trauma, seja violência, depressão, um câncer que a mulher passou. Então, independentemente do trauma ou da dor que ela esteja vivendo, o Free Free trabalha para ela voltar à essência dela, se reconectar com quem ela é, ou seja, se despir desses personagens que a gente acaba desenvolvendo para lidar com algumas situações da nossa vida e voltar para quem a gente é, se vestir um pouco com aquilo que somos. Essa é um pouco da simbologia que entra a moda.”

Obviamente, quando a gente começou, eu não entendia que ia virar um movimento tão grande, começou como uma projeto, que foi lançado em agosto de 2018, com uma parceria como Ministério Público, temos um termo de cooperação com eles para dar esses workshops para mulheres vítimas de violência, porque elas se anulam completamente, se esquecem de quem elas são, perdem a identidade. É um wokshop muito catártico, então elas começam a sair do trauma e entram num lugar de potência, de liberdade.

Só que o Free Free começou a virar um movimento, começou a criar campanhas de conscientização. A primeira que nos lançamos foi “Eu Decido”, que traz esse poder de decisão para a mulher, ou seja, eu decido quem eu sou, eu decido se vou me casar ou não, se vou ou não trabalhar, que parece meio óbvio, mas que para a mulher não é, porque a mulher está muito na reação, muito no lugar de vítima, do não, que é muito importante, mas essa campanha é colocar a mulher no lugar do decidir, porque quando você começa a decidir coisas grandes ou pequenas da sua vida é um momento de liberdade, você vai empoderando essa mulher.

Ferramentas

Yasmine acredita muito na educação, o Free Free oferece todo o suporte emocional, com técnicas para as mulheres saírem de traumas, se tornarem livres e bem emocionalmente, porque do contrário ela não consegue se levantar da cama.

“Então é importante que ela esteja bem, confiante, que entenda que não existem limites para a vida dela. Depois há ferramentas que nós fornecemos para que elas toquem a vida delas. E a novidade é que estamos dando quase que uma formação do Free Free para que elas para que possam trabalhar algo que já saibam fazer”, afirma.

“Por exemplo, uma delas sabe cozinhar, então vamos apontar caminhos para que essa atividade se torne lucrativa também, porque toda mulher sabe fazer alguma coisa. Ou fazemos uma ponte com cursos profissionalizantes, de tecnologia ou coisas assim, para ajudar a essas mulheres a serem empreendedoras.”

Algo como elas conseguem  alcançar sua autonomia financeira através de alguma coisa que elas já sabem fazer com as ferramentas que têm em casa. Então o projeto oferece três pilares: liberdade emocional, porque senão elas não conseguem fazer a parte profissional; liberdade financeira, com uma coisa mais profissional para que elas consigam ganhar o próprio dinheiro; e a liberdade física, que é o ato de ir e vir, de decidir, se elas vão morar aqui, se vão sair de casa.

“Posteriormente, nós damos todo um suporte de acompanhamento psicológico, encaminhando essas mulheres para aplicativos e sites onde elas conseguem ter esse acompanhamento psicológico gratuito”.

“Bem, mas até essa metodologia do acolhimento, agora, está virando um curso online  e gratuito e assim conseguimos chegar em mais e mais mulheres em casa. Mas é muito importante para a gente que essas mulheres também tenham apoio de ONGs ou do Ministério Público, porque essas organizações dão suporte, dependendo do caso”.

“Por exemplo, se estamos trabalhando com mulheres com câncer, é importante que elas percebam que há outras mulheres que estão passando pelo mesmo, é muito importante que elas tenham esse respaldo e consigam ver que há outras que estão vivendo a mesma coisa que elas”, finaliza.

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