O Rio Grande do Norte foi pioneiro em vários campos, entre os quais o voto feminino.

A partir de 1919, o movimento sufragista brasileiro atuou em um corpo-a-corpo com parlamentares, no Rio de Janeiro, então capital federal. A mais aguerrida era a bióloga Bertha Lutz, que com várias companheiras conquistaram a adesão de algumas importantes lideranças políticas para a causa.

Fundada em 1922, a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino foi um movimento de âmbito nacional que lutava pelos direitos das mulheres e que tinha como foco principal a conquista do direito ao voto, contando para tal com grupos de mulheres organizadas em todos os estados, entre os quais o Rio Grande do Norte.

Um dessas lideranças foi Juvenal Lamartine de Faria, deputado federal até 1926 e senador em 1927-28, quando se tornou governador do Rio Grande do Norte e no cargo se empenhou pela aprovação de legislação estadual que garantisse o voto feminino, fortaleceu o movimento de mulheres durante o seu mandato e trouxe inclusive Bertha Lutz ao estado para promover a candidatura de Alzira Soriano à prefeitura de Lajes.

Em 1927, a professora potiguar Celina Guimarães Viana se tornou a primeira mulher a ter, quando se inscreveu com outras vinte mulheres, o registro eleitoral aprovado no Brasil, depois de haver requerido sua inclusão no rol de eleitores, em Mossoró, região oeste do estado, cinco anos antes de o voto feminino ser incluído pela primeira vez no código eleitoral brasileiro, em 1932.

Um ano depois, Alzira Soriano foi eleita prefeita de Lajes, na região central, sendo a primeira a ocupar um cargo como esse no país, depois de conquistar 60% dos votos no município. Foi a primeira mulher alçada, pelo voto popular, a um cargo executivo no país. Mas o seu mandato foi cassado, pois a Constituição Federal de 1891 trazia uma ambiguidade, ao não excluir nem incluir explicitamente as mulheres entre os eleitores.

Os dois fatos só foram possíveis porque no Rio Grande do Norte foi, durante a gestão de Juvenal Lamartine, promulgada lei eleitoral que determinava, em seu artigo 17, que poderiam votar e ser votados, sem distinção de sexos, todos os cidadãos que reunissem as condições exigidas pela lei – ser alfabetizado e maior de 21 anos.

A norma permitiu mulheres de Natal, Mossoró, Acari e Apodi alistarem-se como eleitoras em 1928.

O voto de Celina e o de outras eleitoras pioneiras foram anulados pelo Senado. Apesar o texto constitucional estabelecer que seriam eleitores os “maiores de 21 anos que se alistarem na forma da lei”.

Sufragistas e alguns juízes entendiam que o termo “cidadãos” compreendia homens e mulheres, por isso requeriam e por vezes obtinham o registro de eleitora ou candidata. O Senado da Primeira República (1889-1930), porém, apontou que “cidadãos” dizia respeito somente aos homens.

Em 1934, o Rio Grande do Norte também elegeu a primeira deputada estadual pelo voto direto no Brasil.

Nascida na cidade de Currais Novos, filha do coronel Vivaldo Pereira, irmã do futuro governador Cortez Pereira e noiva e futura esposa do futuro deputado federal Aristófanes Fernandes, Maria do Céu Pereira Fernandes, eleita para a Assembleia Legislativa aos 24 anos, com mais de 12.058 votos, pelo Partido Popular, era uma mulher à frente do seu tempo.

Durante o seu mandato, conquistado numa eleição marcada pela violência, a parlamentar realizava congressos feministas nos quais defendia a participação política das mulheres. O seu mandato foi abreviado pelo golpe de estado que Getúlio Vargas deu em novembro de 1937.

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