Devido à pandemia de coronavírus, as redes de apoio, que se fortaleceram neste período para ajudar financeira e psicologicamente mulheres mais vulneráveis, são um exemplo de solidariedade.

Empreendedora e mãe, Gabriela Mori faz parte de uma dessas redes há 5 anos, a Maternativa, e diz que o grupo tem sido um apoio fundamental durante esse período de isolamento social: “É importante para perceber que não sou só eu que estou surtando, é uma situação sem precedentes para todo mundo. Mãe já nasce com culpa e, nessa rede, conseguimos perceber que não temos controle sobre o que está acontecendo”.

Mori lembra a história de uma grávida, prestes a ter o filho, que estava passando por dificuldades econômicas e desabafou na rede. Rapidamente, o grupo de mobilizou para levar apoio psicológico e financeiro a ela. Algumas mulheres, inclusive, ofereceram a própria casa.

“Foi uma grande demonstração de solidariedade e empatia entre mães. Em um momento como esse, isso me dá mais esperança”, conta ela, que é dona de uma empresa de venda de canecas artesanais.

A microempresária paulista reconhece que seu negócio seria totalmente diferente se ela não estivesse envolvida em um grupo como a Rede Maternativa.

Criado em 2015 por duas amigas que viram as portas do mercado de trabalho se fecharem quando ainda estavam grávidas, o grupo nasceu no Facebook para discutir maternidade e trabalho, mas viralizou e, em apenas um mês, já agregava 600 mães.

Hoje, mais de 25 mil mães em todas as capitais e em mais de 150 cidades do Brasil fazem parte da rede. Com a atual situação da pandemia de coronavírus, a existência do grupo tem sido cada vez mais essencial para fortalecer uma rede de apoio às mães, além de visibilizar seus trabalhos.

"Mãe já nasce com culpa e, nessa rede, conseguimos perceber que não temos controle sobre o que está acontecendo”, disse a empreendedora e mãe Gabriela Mori|Foto: Arquivo Pessoal
“Mãe já nasce com culpa e, nessa rede, conseguimos perceber que não temos controle sobre o que está acontecendo”, disse a empreendedora e mãe Gabriela Mori |Foto: Arquivo Pessoal

“As mães não podem esperar. Estamos recebendo na nossa comunidade relatos de mães, muitas destas responsáveis financeiramente por suas casas, desesperadas vendo suas vendas despencarem, seus eventos serem cancelados, e a possibilidade de atendimento nos próximos dias ser eliminada pela situação de saúde pública que estamos vivendo. Essas mulheres coordenam pequenos negócios e não têm fluxo de caixa para se manter operando com quedas tão drásticas na suas vendas”, comenta Vivian Abukater, sócia da Maternativa.

Por isso, a rede Maternativa decidiu abrir a plataforma “Compre das Mães”, que é uma vitrine virtual de produtos e serviços de mães do Brasil.

Também ligada à Maternativa, a empresária Patricia Borbolla teve sua rotina completamente impactada pela pandemia. Mãe de dois filhos, a publicitária paulistana é responsável por duas empresas de consultoria publicitária e se viu sobrecarregada.

“Minha família está em quarentena desde 12 de março e foi muito desafiador cuidar de duas empresas, auxiliar na educação da minha filha que estava fazendo aulas online e cuidar da casa. Foi muita sobrecarga, muito difícil”, conta Borbolla, reconhecendo a importância do apoio emocional, psicológico e afetivo que recebe na Maternativa.

A publicitária também divulga seus serviços na plataforma Compre de Mães e destaca que a rede foi a responsável por continuar empreendendo, mesmo em momentos de dificuldade.

“A minha demanda de trabalho nessa época triplicou, porque como trabalho com consultoria, muitas empresas estão investindo nisso em um momento que as vendas caíram, mas devido a cuidados com a casa e a maternidade, eu tive que falar não a trabalhos, porque não dava conta de atender toda essa demanda. Apesar de ser casada, meu marido sofre com questões de saúde mental, como depressão, e não pode me ajudar muito nesse momento”, disse Borbolla.

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